A escolha da Ticketmaster como fornecedora do clube à partir de 2027 entrou na esfera política e escancara a disputa entre Harry Massis, atual presidente do São Paulo, e Olten Ayres Júnior, presidente do Conselho Deliberativo.
Enquanto um defende a aprovação do contrato, de olho principalmente no adiantamento, o outro pede uma revisão minuciosa do processo que aprovou a multinacional americana como futura fornecedora de ingressos, gestão de Sócio Torcedor e das reformas do Memorial do Clube.
Sempre avisei que minha opinião sobre a Ticketmaster é como usuário. A tiqueteira escolhida pelo clube é a que eu considero melhor entre as que eu frequentemente uso. Anos luz da Total Acesso que, em jogos grandes, sempre deixou o torcedor na mão. Se há algum problema nessa licitação, o problema certamente não é causado pela Ticketmaster. Veja matéria completa aqui (recomendado).
Porém, acho válida a revisão proposta por Olten Ayres Junior por conta da reclamação da NewC, empresa que perdeu a concorrência. Os conselheiros tem o direito de entender todo o cenário envolvido.
Há um ponto que eu quero ressaltar nessa discussão toda. O primeiro é que adiantamento não é presente. É um valor que entra e depois vai saindo como se fosse um empréstimo. Se o São Paulo fosse bem gerido, nem precisava disso e poderia negociar até melhor com a Ticketmaster ou qualquer outra. Mas não é a nossa realidade.
Outra questão: segundo a gestão Massis, diferente do adiantamento da NewC, o adiantamento da Ticketmaster não envolve ativos imobiliários ou do direito de superfície do estádio, algo que o São Paulo não pode oferecer.
Esse é um ponto importante. O valor do adiantamento será devolvido pelo Tricolor à Ticketmaster em cinco anos, com taxa de juros seguindo o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) mais 1,99% e o contrato prevê que a devolução partirá da renda obtida pelo clube com jogos no Morumbis e não em outros ativos, com um teto limite de R$ 1,8 milhão ao mês.
Em outras palavras, o clube não vai pagar mais que isso por mês nos cinco anos.
Outro ponto é a questão de possível “monopólio”: o contrato entre São Paulo e Ticketmaster prevê a possibilidade de rescisão unilateral, sem multa, caso a tiqueteira enfrente problemas na Justiça brasileira. Vale dizer que a Ticketmaster concorre com outras grandes do mercado brasileiro. Não há um domínio de alguma empresa por aqui até hoje e, se houver, o clube pode acionar a cláusula.
Enfim, é um assunto que precisa ser estudado e cabe aos conselheiros Daurio Speranzini, Flavio Marques, Daniel Fonseca e Marcel Bonilha – escolhidos para esta análise – darem o parecer sem politicagem nem privilégios. Apenas para o bem do clube.
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O presidente Harry Massis é alvo de um pedido de expulsão do quadro associativo por gestão temerária à frente do São Paulo Futebol Clube.
Criado por oito conselheiros, o pedido está sendo analisado pela Comissão de Ética do clube. Ele aponta o transfer ban atual recebido e ainda sem solução e um descontrole administrativo gravíssimo, além da possível gestão temerária.
A Comissão de Ética tem até 20 dias para analisar o caso e elaborar um parecer sobre a conduta de Massis, que pode acarretar na votação de expulsão no Conselho Deliberativo.
Desde que assumiu a presidência, Massis foi responsável pela demissão de dois treinadores, além da saída do executivo de futebol Rui Costa, alvo de muitas críticas da torcida e de conselheiros.
Se Harry Massis for expulso do São Paulo, a presidência passará a ser exercida pelo atual presidente do Conselho, Olten Ayres de Abreu, que terá que pedir novas eleições em até trinta dias, de acordo com o que rege o estatuto.
O problema é que esse interino não terá governabilidade alguma até as eleições de fato em novembro pois, também de acordo com o estatuto, ele não terá poder de decisões pois estará a poucos meses de entregar o mandato para um presidente definitivo. Seria verdadeiramente um “presidente tampão”.
Portanto, se Harry Massis for expulso do quadro social, a confusão política que já é generalizada, ficará ainda maior dentro da Instituição Quem se candidataria ao cargo sabendo que não poderá tomar nenhuma decisão às vésperas de uma nova e definitiva eleição?
Massis também foi alvo de uma matéria do SBT News. Segundo a matéria, o presidente e suas empresas acumulam R$ 28,4 milhões de dívidas em impostos e multas. O valor é a soma de débitos com a Prefeitura de São Paulo e a União. O levantamento exclusivo da reportagem do SBT News é baseado em certidões e extratos oficiais da Procuradoria-Geral do Município e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
Representantes de Massis reconhecem as dívidas mas dizem que maioria dos débitos estão parcelados e pagos em dia.
Semi-automático: bom
ou ruim para o futebol?
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O presidente Harry Massis se reuniu com a mídia segmentada do São Paulo Futebol Clube na tarde desta última quinta-feira, no CT da Barra Funda.
Promovida pela diretoria de comunicação do clube, o encontro serviu para que o presidente conhecesse os canais do Tricolor, se apresentasse como uma figura acessível e respondesse todas as questões dos jornalistas e produtores de conteúdo.
Estive no encontro junto com todos os canais escolhidos pelo diretor Felipe Espíndola e seu time de comunicação. Fazia alguns que não voltava ao CT (desde antes da pandemia) e a primeira impressão é que o CT continua muito bonito e bem cuidado. Mas este não é o tema do post e sim, Massis.
Solícito, bem humorado e franco, Harry Massis respondeu quase todas as perguntas da tarde e só não falou o que não tinha conhecimento. Algumas revelações foram ditas e escreverei abaixo os principais pontos que para mim foram discutidos, e após os pontos, minha opinião. Vamos lá:
Harry Massis respondeu minha pergunta sobre os vencimentos e salários, algo que considero crucial para o futuro do clube no Brasileirão neste ano. Segundo o presidente, os salários e vencimentos estão sendo pagos e controlados até o fim do ano, mas nem sempre em dia. Um exemplo são estes meses de Copa do Mundo “não entra nada”, disse Massis, lembrando que ele fez uma promessa junto ao elenco quando tomou posse, que nem mesmo ele sabe se irá cumprir integralmente.
O presidente disse que está fazendo o melhor para o clube e, caso não cheguem propostas para jogadores nesta janela de meio de ano, reconhece que a situação financeira ficará muito ruim. “É rezar para saídem vendas” – disse ele, literalmente.
Massis disse que é inviável (para não dizer impossível) quebrar o acordo de shows com a Live Nation. Perguntei se era a multa o único problema, confirmada pelo presidente. Inclusive o São Paulo antecipou metade da receita na gestão passada. O que Massis faz é negociar datas que não possam colidir com fases agudas de futebol. “Vetamos duas para este ano” – disse o presidente. Vale lembrar que o contrato com a Live Nation foi feita pelo ex-presidente e expira em 2031.
O presidente revelou que o São Paulo está estudando novas oportunidades de estádios para serem alternativas ao Morumbi nos próximos anos.
Massis confirmou que o São paulo está trocando documentos com uma nova tiqueteira de ingressos, para substituir a Total Acesso. “Foi escolhida entre quatro ou cinco opções” – revelou o presidente. Palpite: deve ser a Ticketmaster, que jé é da Live Nation. Opinião: é uma ótima tiqueteira, a maior do mundo e que nunca deu problema comigo em eventos nacionais e internacionais. Bola dentro, se for!
Massis confirmou uma reunião com a XP mas negou qualquer proposta vinda da financeira. Além disso, ele não assinou nenhum documento para Diego Fernandes pois não soube do próprio qual seria a estratégia de aproximação de investidores. “Não tem nada em relação a esses dois assuntos” – concluiu Massis.
Massis praticamente confirmou Newton e disse estar encaminhadas as contratações do zagueiro Domingos Duarte e o lateral-direito Aurélio Buta. O diretor Felipe Espíndola detalhou como são captados e levados a comissão técnica para avaliação. No caso de Domingos Duarte, o entrave foi a mulher, receosa de vir ao Brasil com filho bebê de colo. O clube trabalha para que ambos assinem contrato o quanto antes para que possam se apresentar e treinar com os companheiros no CT da Barra Funda.
Massis disse que só sairá candidato se houver consenso entre as chapas que hoje estão com ele. O presidente explicou as saídas repentinas de Flávio Marques e Daurio da sua gestão e disse que quem saiu como candidato cedo se queimou no processo.
Massis mais ouviu que falou sobre o assunto. O presidente prometeu ver se o clube divulgará balanços mais regulares e disse que a reunião foi para que os canais pudesses perguntar tudo o que quisessem.
A iniciativa da comunicação do clube é excelente e Massis realmente é uma pessoa que pareceu transpor muita honestidade e sinceridade. Por muitos momentos o presidente rebateu informações falsas e disse para todos confiarem em sua palavra. “Não sou marqueteiro” – repetiu em muitos momentos.
A situação financeira do São Paulo é terrível e o clube precisa de soluções gigantes para sobreviver ao novo futebol. O Tricolor perdeu o bonde ao negar parcerias com grupos como o City (confirmado pelo próprio ex-vice presidente Francisco Manssur) e vai penar bastante mas a aproximação de Massis com a mídia alternativa é um passo importante para essa inter-locução com o torcedor.
Enfim, o presidente expôs a realidade Tricolor sob a sua ótica.
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O São Paulo não pretende contratar um novo diretor executivo de futebol para o lugar de Rui Costa, executivo demitido do cargo no mês passado pelo presidente Harry Massis.
Desta maneira, Rafinha deverá comandar o setor até o final do mandato do atual presidente, tendo o auxílio do advogado Dr. Felipe Carvalho na elaboração dos contratos e questões burocráticas. O Dr. Felipe já realizava esta função com Rui Costa no comando.
Rafinha possui uma equipe de scout à sua disposição e trabalha para abastecer Dorival Junior e sua comissão técnica com possíveis reforços dentro da já conhecida atual linha de contratação Tricolor.
Por conta de sua crítica condição financeira, o clube continuará com a filosofia de não comprar jogadores vindos de outros clubes. Os reforços serão agentes livres ou vindos através de empréstimos sem custos e com preferência ou obrigatoriedade de compra.
Rui Costa deixou o Tricolor em junho após cinco anos de trabalho. Ele esteve no cargo desde a posse de Julio Casares, em 2021. A saída se deu sob forte pressão interna, protestos da torcida e atritos com a Comissão de Ética.
O nome do ex-diretor executivo foi citado em um inquérito da Polícia Civil e do Ministério Público que investiga supostos desvios de verba e lavagem de dinheiro no São Paulo. A apuração mira contratos e acordos financeiros do clube com a empresa de logística Off Side, além de gastos da gestão do ex-diretor Carlos Belmonte.
Paralelamente à esfera criminal, a Comissão de Ética do São Paulo abriu um processo interno para investigar supostos gastos irregulares no departamento.
O órgão solicitou a Rui Costa o repasse de documentos e contratos de jogadores da gestão anterior para análise. O diretor se recusou a entregar a documentação, citando cláusulas de confidencialidade. Diante da recusa, a Comissão recomendou a Massis o afastamento imediato do diretor do cargo.
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