A votação do acordo entre o São Paulo FC e a Ticketmaster no Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube está marcada para esta terça-feira, dia 29 de setembro de 2026.
O acordo prevê que a Ticketmaster seja a nova tiqueteira do clube à partir de 2027, além de ser a nova exploradora do Sócio Torcedor, programa de fidelidade do Tricolor durante cinco anos. O contrato prevê adiantamento de R$ 146 milhões em recursos para o clube: R$ 110 milhões de antecipação/financiamento e R$ 36 milhões relacionados à exploração do camarote 29A e melhorias no Memorial do clube.
O que o Conselho vai votar?
O Conselho Deliberativo precisa aprovar o contrato para que a Ticketmaster passe a administrar a venda de ingressos do MorumBIS, substituindo a Total Acesso. O acordo também envolve o programa de sócio-torcedor.
O valor adiantado seria retornado a Ticketmaster em cinco anos, com juros de CDI + 1,99% ao mês e limite de pagamento mensal de R$ 1,8 milhões. A taxa de ingressos aplicada seria de 10% (online) e 8% (entrada física). A taxa de Sócio Torcedor captado seria de 8%.
Como será a votação?
A votação se divide em três pautas para aprovação ou reprovação . A primeira será a aprovação do contrato principal e do camarote;. A segunda será a aprovação ou não da multa rescisória, caso o São Paulo deseje romper o contrato com a Ticketmaster. Por último, manter ou não o plano de Sócio-Torcedor no contrato.
Por que surgiu tanta treta?
O principal problema discutido nos bastidores não é o contrato final e sim o processo de escolha que definiu a Ticketmaster como vencedora.
A NewC, empresa que participou do processo, questionou a condução da concorrência. Entre as alegações estão questionamentos sobre informações utilizadas, critérios e o tratamento dado às propostas. A NewC afirma ter apresentado uma estrutura que poderia chegar a aproximadamente R$ 500 milhões.
O São Paulo, criador e executor do edital, contesta essa interpretação: segundo o clube, esses R$ 500 milhões não constituíram uma proposta formal comparável à proposta da Ticketmaster, mas uma apresentação preliminar de uma possível operação financeira separada do objeto principal.
Por causa desses questionamentos, Olten Ayres de Abreu, presidente do Conselho Deliberativo, criou uma comissão de quatro conselheiros de diferentes grupos políticos para analisar o contrato.
E qual foi o resultado dessa comissão?
A comissão criada não recomendou barrar o contrato. O parecer de 39 páginas foi favorável ao prosseguimento, mas com ressalvas. A conclusão registrada foi de que não foram encontrados elementos que impedissem que o plenário do Conselho deliberasse sobre a contratação.
Segundo o que eu apurei, essas ressalvas seriam para que todo o valor adiantado fosse empregado para a quitação dos atrasados do elenco e de impostos emergenciais do clube.
Quem decidirá?
Será uma votação do Conselho Deliberativo, não dos sócios em geral. O estatuto do São Paulo estabelece, como regra, maioria simples dos conselheiros que participarem da votação. O próprio estatuto também estabelece que membros da Diretoria ou do Conselho de Administração que integrem o Deliberativo ficam impedidos de votar matérias de sua própria proposição ou de órgão do qual façam parte.
Cronograma
29 de setembro
- 18h30: reunião do Conselho Deliberativo, em formato híbrido.
- 22h: abertura da votação eletrônica.
30 de setembro
- 17h: encerramento da votação.
O próprio SPFC mantém a convocação da reunião de 29 de setembro em sua área oficial de transparência.
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Minha opinião
Tecnicamente, para mim a Ticketmaster é a melhor solução para o São Paulo, além de ser da Live Nation, a maior organizadora de eventos do mundo e já parceira do Tricolor no Morumbis. Eu trabalho com eventos nos Estados Unidos e Brasil e utilizo muito a Ticketmaster. Afirmo que com ela nunca tive problemas de compra e entrada em mais de 50 eventos que já fui.
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Porém, é claro que a escolha tem uma consequência financeira objetiva: a aprovação permitiria que o clube recebesse os recursos adiantados previstos, enquanto também assumiria a obrigação de devolver os R$ 110 milhões com CDI + 1,99%.
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A atual gestão vem tratando os R$ 110 milhões como uma fonte de caixa de curto prazo. Mal administrado há décadas, o clube enfrenta atrasos em direitos de imagem do elenco e a diretoria estabeleceu o fim de setembro como prazo para regularização.
Infelizmente a melhor empresa de execução de compra e reserva de ingressos do mundo está no olho deste furacão por conta de política e principalmente incompetência administrativa.
Mais treta à vista!
Com a mudança do comando do Sócio Torcedor, o São Paulo corre o risco de enfrentar um processo judicial de R$ 40 milhões movido pela Feng, atual gestora do programa.
A Feng alega que o clube violou a cláusula de exclusividade e o direito de preferência ao avançar com a Ticketmaster sem dar a chance de cobrir a proposta. Além disso, para romper o acordo, o estatuto prevê um aviso prévio de 180 dias.
O descumprimento acarretaria uma multa compensatória mensal de 15% da receita bruta do programa. Somando as multas imediatas (estimadas entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões) a eventuais indenizações por perdas e danos na Justiça, o prejuízo total calculado nos bastidores poderia chegar a marca dos R$ 40 milhões.
Vale lembrar que a mesma Feng que pode processar o São Paulo é também a responsável pela péssima gestão do Sócio Torcedor do clube.
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Saudações Tricolores!
Daniel Perrone | São Paulo Sempre!
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