O São Paulo e a XP Investimentos se reuniram no início desta semana para discutir uma possível parceria voltada ao controle da impagável dívida acumulada pelas últimas gestões, além da modernização do estádio do Morumbi, entre outros pontos.
Intermediada pelo conselheiro Marcelo Pepe, a reunião contou com a presença do presidente Harry Massis e de alguns representantes do São Paulo e da instituição financeira. Nela, a XP oficializou seu interesse e pontuou os principais aspectos de uma possível futura proposta, que prevê trinta anos de contrato.
Consultando o que foi publicado por sites como São Paulo Digital e o canal Papo em Três Cores, além de conversar com pessoas do clube e da XP Investimentos com quem mantenho contato e proximidade, o que me foi relatado (e confirmado) é que a XP pretende assumir, a curto prazo, boa parte da dívida tricolor, que hoje ultrapassa R$ 1 bilhão, além de investir no Morumbi para o centenário, modernizando-o de fato e não apenas com reformas superficiais. Um presente para o torcedor no Centenário do clube.
Além da contenção da dívida e da modernização definitiva do Morumbi, existe a possibilidade — eu disse possibilidade — de aportes no futebol profissional e também na base.
A contrapartida
A XP Investimentos cobraria do São Paulo entre 1% e 1,2% de juros ao mês ao longo de trinta anos de parceria, além de obter os Naming Rights do estádio e outras propriedades de mídia desde o eventual início até o término do contrato. Além disso, a XP alocaria profissionais para os setores de controladoria, governança e finanças do clube, atuando como uma espécie de co-gestora minoritária no acordo.
Opinião
A XP é uma gigante do mercado e superficialmente, a proposta seria tudo o que o São Paulo deseja neste momento: desafoga a dívida no curto prazo, não prevê SAF e não transforma o clube em um “sócio minoritário”. Porém, duvido muito que não existam sérios conflitos na atuação de profissionais do mercado financeiro ao lado de conselheiros e gestores que se elegem por política interna, e não necessariamente por competência.
Por isso, a necessidade de dois CNPJs — um para o social e outro para Futebol/Estádio/CT — se torna emergencial.
Outra coisa: também duvido que essa possível parceria não seja utilizada para fins políticos, já que em quatro meses teremos eleições para presidente e a já conhecida corrida por cadeiras vitalícias no Conselho Deliberativo. Serão quarenta indicações para apenas dez vagas abertas em um sistema que mantém o clube amarrado a poucas pessoas.
Nada será definido antes da posse do novo presidente, mas a boa notícia é que, enfim, uma intenção concreta foi sinalizada em reunião. Apesar das boas intenções iniciais, aconselho o torcedor a não se empolgar neste primeiro momento, já que tudo no São Paulo costuma ser tortuoso.
O foco neste ano deve ser torcer por um bom fim de temporada no futebol. Vale lembrar que iniciamos o mês de julho sem um diretor executivo. Já são dez dias sem um nome para liderar as contratações na próxima janela.
Por essas e outras, o ano promete ser difícil dentro das quatro linhas.
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Saudações Tricolores!
Daniel Perrone | São Paulo Sempre!
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