Essa segunda-feira (13) é um dia político importante na história do São Paulo FC. É dia de votação no Conselho Deliberativo do clube para definir o futuro do ex-diretor social Antonio Donizete Gonçalves, o Dedé.
O ex-diretor, um dos homens mais influentes do social e também da gestão Júlio Casares, é acusado de violação dos deveres institucionais e dano à imagem da instituição devido a uma série de irregularidades na gestão do clube social. As principais irregularidades incluem:
Atuação irregular da FGoal: Dedé teria autorizado a empresa FGoal (antiga fornecedora de alimentos e bebidas do MorumBIS) a operar na sede social do clube sem um contrato formal específico. O São Paulo posteriormente rescindiu com a empresa por justa causa, alegando movimentações financeiras e saques indevidos na plataforma das maquininhas de pagamento.
Auxílio em processo contra o clube: Dedé é acusado de ter assinado e fornecido uma declaração individual confirmando a suposta autorização informal. Esse documento acabou sendo utilizado pela própria FGoal em ações judiciais movidas contra o São Paulo decorrentes da quebra de vínculo
Investigações por corrupção privada: paralelamente ao processo de ética interna, o ex-diretor é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público por suspeita de corrupção privada e exploração comercial abusiva. A apuração começou após o vazamento de áudios em que Dedé supostamente negociava a concessão de quiosques no clube cobrando uma taxa de entrada (chamada de “joia”) de R$ 100 mil a R$ 150 mil, além de 20% do faturamento bruto
O julgamento ocorre dias após a Comissão de Ética do clube analisar o caso. Por decisão apertada entre seus membros, o órgão descartou a punição máxima e recomendou uma suspensão de 120 dias em razão do dano institucional à imagem do Tricolor, cabendo agora ao Conselho Deliberativo a palavra final.
Por que a Comissão de Ética descartou a expulsão?
O estatuto do São Paulo prevê a expulsão em casos graves, como desvio de dinheiro ou prejuízo financeiro direto e doloso ao clube. No entanto, ao analisar o processo interno, a comissão concluiu que:
Há falta de provas financeiras: Não foram encontradas provas documentais nos autos que ligassem Dedé ao recebimento de propinas ou que gerassem um rombo contábil direto aos cofres do clube.
Infração institucional: A comissão entendeu que o erro dele foi político e administrativo (dar uma declaração que municiou um terceiro contra o clube e permitir a operação da FGoal sem amparo formal). Por isso, propôs a suspensão de 120 dias, enquadrando o ato como um dano à imagem institucional, e não como crime financeiro comprovado dentro do clube.
Vale lembrar que o parecer da Comissão de Ética funciona como uma mera recomendação, mas quem decide soberanamente o futuro de Dedé é o Conselho Deliberativo Tricolor.
A linha de defesa de Dedé
A defesa do ex-diretor social tenta desqualificar as acusações e evitar qualquer punição política por meio dos seguintes argumentos:
Gravações clandestinas: Os advogados questionam a legalidade dos áudios vazados que iniciaram a crise (onde ele falava sobre os valores de “joia” para os quiosques), alegando que as gravações são clandestinas, fora de contexto e que o teor das conversas nunca se concretizou em atos práticos.
Isenção de culpa no caso FGoal: A defesa sustenta que a atuação da empresa no clube não foi uma decisão isolada de Dedé e que ele não agiu de má-fé ao assinar a declaração usada no processo judicial, mas apenas relatando fatos da rotina do clube social.
Como funcionará a votação?
Na cédula deste dia 13 de julho, os conselheiros têm liberdade para ignorar a recomendação de suspensão e votar pela expulsão de Dedé, caso consigam reunir 2/3 dos votos do total de conselheiros votantes; pela suspensão de Dedé, mantendo o parecer de 120 dias sugerido pela Comissão de Ética (ou modificando o prazo) ou pela advertência/absolvição, caso a maioria de 2/3 aceite os argumentos da defesa de que não houve gravidade no ato.
A votação começa e termina no mesmo dia, ocorrendo inteiramente nesta segunda-feira, 13 de julho. O processo não se estende por vários dias. O Conselho Deliberativo se reúne, realiza o debate, e a votação em plenário é concluída com a apuração e o resultado final divulgados na própria sessão da noite de segunda-feira.
Olten se declara impedido
Segundo o ge, para blindar o processo de interferências políticas diretas, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior, declarou oficialmente seu impedimento para presidir a sessão de julgamento. Ele tomou essa decisão para assegurar a total imparcialidade e transparência dos votos, uma vez que contatos de bastidores poderiam gerar questionamentos éticos sobre a condução da mesa.
Diversas frentes e movimentos políticos do clube se posicionaram radicalmente contra o parecer considerado “brando” da Comissão de Ética. Grupos como o Sempre São Paulo, Sempre Tricolor, Salve Tricolor Paulista, Novo São Paulo e a coalizão Nova Era defendem o rigor máximo na punição.
O grupo político conhecido como Legião, que detém uma bancada expressiva no Conselho Deliberativo, é considerado o voto decisivo. Olho neles!
Previsão
Em se tratando de política, sempre digo que tudo pode acontecer e tenho minhas ressalvas mas, de acordo com o que eu apurei nestes últimos dias, Dedé deve ser expulso pela maioria dos conselheiros.
A expulsão abriria importantes precedentes para outras ações importantes para a “limpeza” da instituição. O São Paulo não pode mais ficar à mercê de golpistas, formadores de quadrilha e corruptos.
O São Paulo não muda!
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Saudações Tricolores!
Daniel Perrone | São Paulo Sempre!
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