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Ciência explica o novo e gravíssimo aumento de lesões no São Paulo

Ciência explica o novo e gravíssimo aumento de lesões no São Paulo

O novo aumento exponencial de lesões no São Paulo em 2026 tem uma explicação científica. Uma interessante análise de Filipe Abdalla, PhD em fisioterapia do esporte, destrincha o cenário vivido pelo clube sob a ótica da ciência esportiva.

 

Em 10 de março de 2026, o São Paulo trocou de treinador pela segunda vez na temporada. Hernán Crespo saiu para a chegada de Roger Machado. E, com ele, veio também sua própria equipe de preparação física. Um detalhe que parece corriqueiro em mudanças de comissão técnica, mas que é justamente um dos pontos mais estudados pela ciência do esporte.

 

Filipe revelou que o UEFA Elite Club Injury Study acompanhou 14 clubes europeus de elite durante três temporadas consecutivas. A pergunta central da pesquisa era simples: trocar de treinador aumenta o número de lesões? Segundo Filipe, a resposta surpreendeu até os próprios pesquisadores.

 

De acordo com o estudo, a troca de treinador gerou um aumento de 19% nas lesões musculares — um resultado sem significância estatística relevante. Porém, quando houve troca simultânea de treinador e preparador físico, o aumento saltou para 276%. O número de dias perdidos por lesão passou de 16 para 45 a cada 1.000 horas de treino. Isso ocorreu em 70% das mudanças de comissão técnica analisadas.

 

Mas por que o preparador físico teria um impacto ainda maior do que o treinador? Porque é ele quem define a carga de treino, a periodização e a linguagem física aplicada aos atletas. Um novo preparador chega com métodos e conceitos diferentes, exigindo um período de adaptação dos jogadores. E é justamente nessa janela que o risco de lesão dispara, segundo aponta o estudo.

 

Por que o preparador físico importa mais do que o treinador? Porque é ele quem define a carga de treino, a periodização e a linguagem física usada com o atleta. Um novo preparador chega com uma filosofia diferente. Os atletas precisam se adaptar. Nessa janela de adaptação, o risco de lesão explode, aponta o estudo.

 

Há ainda outro fator identificado pela pesquisa. Clubes com baixa comunicação entre comissão técnica e departamento médico registraram 183 dias perdidos por lesão a cada 1.000 horas de treino. Já nas equipes com alta comunicação interna, o índice caiu para 105 dias.

 

Ou seja: uma troca mal conduzida de comissão técnica pode destruir essa integração praticamente da noite para o dia.

 

Filipe então volta o foco para o São Paulo. Roger Machado chegou em março, acompanhado de um novo preparador físico, em plena temporada. Ao mesmo tempo, a comunicação com o departamento médico precisou ser reconstruída do zero. As sete lesões musculares registradas desde então, segundo ele, não seriam mero azar — mas exatamente o tipo de consequência previsto pela ciência.

 

Luciano. Sabino. Ferreirinha. Marcos Antônio. Tolói. Alan Franco. Entre outros. Todos sofreram lesões musculares após a troca de comando. O calendário apertado, obviamente, pesa. Mas um calendário sobrecarregado com uma comissão técnica estável tende a gerar menos lesões do que o mesmo cenário vivido com um staff recém-chegado. Os dados apontam exatamente nessa direção.

 

Neste contexto, a recomendação dos pesquisadores é clara: quando um novo treinador chega, o ideal é preservar o preparador físico do clube. Caso o treinador faça questão de trazer sua própria equipe, o mais indicado seria implementar um protocolo gradual de transição das cargas de trabalho. Algo que praticamente nenhum clube brasileiro faz de maneira sistemática — ainda menos o desorganizado São Paulo, que há tempos perdeu o pioneirismo no setor.

 

E os reflexos aparecem diretamente no boletim médico.

 

Filipe Abdalla conclui que o São Paulo provavelmente enfrenta um problema de gestão de transição. E que a solução não está necessariamente na janela de transferências, mas na maneira como o clube conduz a chegada de uma nova comissão técnica.

 

Sem ciência orientando esse processo, sobra espaço apenas para o achismo.

 

Não é simples demitir
Rui Costa. Veja números:

 

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Saudações Tricolores!
Daniel Perrone | São Paulo Sempre!

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